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Sobre Filmes e Sexo

19 de May de 2010

Tem um barzinho aqui na cidade que já virou caminho da roça pra gente. Eu, Fá, Marcinha e Junão marcamos ponto lá praticamente todo sábado. A mesa da esquina da rua só falta ter nosso nome: faça chuva ou faça sol, ela sempre sobra pra gente.

Um sábado desses, estávamos lá, tititi, tatatá, conversas aleatórias, whatever, como sempre. Então Fá e Marcinha começaram a tirar fotos. Nunca vi bicho que gosta mais de tirar foto que esse tal de bicho-mulher. Ave Maria! Começaram a tirar fotos delas, delas com Junão, aquelas caras de pato, e eu, que não sou muito chegado a sair em fotos, já virei pro lado do palco pra ver o que tava rolando lá, dando um de João-sem-braço.

Avistei algo interessante na mesa perto do palco – se é que vocês me entendem – e comecei a viajar, na mesa e na música do Leoni:

Quando ela cai no sofá
So far away
Vinho à beça na cabeça
Eu que sei..
Quando ela insiste em beijar
Seu travesseiro
Eu me viro do avesso
Eu vou dizer aquelas coisas
Mas na hora esqueço…

Fá, Marcinha e Junão conversando sem parar e flashes piscando pra lá e pra cá, e eu ali viajando e tomando minha vodka com guaraná (rimou!!! Seria eu um poeta enrustido!?).

Comecei a sentir uma pressão no meu braço direito, tipo quando colocam aquele equipamento de medir pressão no braço da gente e começam a apertar aquela bombinha… sabe como é, né? Tava fraco e foi aumentando. Eu ouvindo “Por que não eu? Ah! Ah!†e aquele negócio me incomodando. Até que chegou uma hora que não agüentei e me virei tão rápido pra ver o que era, que meu corpo virou, mas a imagem demorou pra chegar no meu cérebro (resultado da vodka com guaraná, imagino).

Quando a imagem terminou de se formar, lá estava Fá segurando o meu braço. Como sempre sou carinhoso com as mulheres, segurei a ebulição de raiva que surgia de dentro de mim e disse:

- Quié cabeção? Tá doida?

- O que você acha, Léo? – falou, com aquela risadinha insana na cara.

- O que acha de que, pelo amor de Deus? – perguntei, amorosamente como um tanque de guerra.

- Estávamos discutindo aqui… quando um cara chama uma menina pra assistir filme na casa dele, ele realmente quer assistir filme? É estranho ele não tentar nada?

Uma pausa pra explicar uma coisa. Algumas pessoas realmente acham que eu sou um cara a quem elas devem ouvir. Sei que tenho muito mais dúvidas do que certezas, mas existem alguns homo sapiens que me escutam. Não sei explicar por que, mas me escutam. Me perguntam coisas sobre relacionamentos, família, profissão e outras cositas más.

Esses dias, uma tal de Lucimara me enviou um convite pra ser amigo dela no Orkut. Como não reconheci pela foto, entrei no perfil dela. Vi que não morava na minha cidade e tampouco era amiga de algum conhecido meu. Então, mandei um scrap perguntando de onde ela me conhecida. Ela respondeu com outro scrap dizendo “oi lindinho sou a mara vc parece ser super simpatico adoraria ser sua amigaâ€. Exatamente isso aí foi o que ela escreveu – copiei e colei, não alterei uma vírgula. É claro que recusei o convite dela (calma, ela não era bonita não, nem isso valia a pena). Então, alguns dias depois ela manda outro scrap: “vc sumiu to precisando tanto ouvir umas palavras bonitasâ€. Dá pra acreditar nisso? Eu nunca vi a menina, nunca conversei com ela, e ela diz que quer ouvir palavras bonitas de mim? Eu tenho cara de Padre Fábio de Melo? Ou de Antônio Roberto? Só pode. Daqui a pouco compro um divã e começo a cobrar.

Voltando ao assunto… Fá ainda segurando meu braço e fazendo aquela pergunta indiscreta. Estranho uma mulher perguntar isso para um homem. Mulheres geralmente discutem suas intimidades entre si, não ficam por aí pedindo opinião de homem.

- Como assim? Por que você tá perguntando? – falei, sem baixar minha guarda. O que eu falasse ali poderia influenciar nas possíveis relações com possíveis amigas da Fá que ela poderia vir a me apresentar futuramente. Claro, tem que se pensar nessas coisas também, né? O mundo dá voltas… nunca se sabe.

- Nada, Léo. É só um assunto que estávamos discutindo aqui. – Ela já tinha tirado o sorriso do rosto e tava parecendo meio aflita. Olhei pra Marcinha e ela tava séria. Vi que não era só um assunto aleatório. Aquilo tinha a ver com algo que tinha acontecido com Fá ou Marcinha e eu, como bom samaritano, resolvi colocar panos quentes no negócio.

- Cada situação é uma situação, Fá. Às vezes o cara quer só sexo mesmo, o filme é apenas um pretexto. Mas, se ele gosta da menina, e espera ter algo sério com ela, talvez ele não tente nada, ou tente e não insista, já que estar com ela ali já basta. Sexo torna-se uma coisa secundária, que vai vir com o tempo.

Nossa, falei bonito demais! Se filmassem minha cara falando isso, eu poderia concorrer ao Oscar. Minha mãe teria tanto orgulho de mim se estivesse ali. Junão ficou olhando pra mim como um pai orgulhoso olha para o filho que acabou de passar no vestibular.

Depois que falei isso, o rosto de Fá mudou. Precisavam ver o alegrião da menina. Faltou subir na mesa e dançar o rebolation.

Foi o que a Marcinha disse naquele momento que fechou minha noite com chave de ouro:

- Tá vendo, Fá? Eu te disse. Pode sair com o cara de novo, ele não é gay!

Tempos modernos…

Textos

  1. zdpk
    May 24th, 2010 at 22:04 | #1

    cara q foi isso q tu escreveu? Parabéns!

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