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Archive for the ‘Textos’ Category

Mais uma Copa do Mundo

7 de June de 2010

Faltam 4 dias para o início da Copa do Mundo 2010, na África do Sul, e já é perceptível a mudança no comportamento das pessoas. É incrível como nessa época todo mundo vira torcedor de futebol.

Vale de tudo pra torcer pela seleção: pintar a rua de verde e amarelo, pintar a casa, comprar cornetas, apitos, bandeiras, camisas, TV’s gigantes… enfim, é tempo de mostrar a paixão pela seleção e dar aquele empurrãozinho nos meninos lá na África do Sul.

Torcedor é assim mesmo: o cara pode estar com problemas de saúde, financeiros, familiares ou seja lá o que for, mas no dia do jogo da seleção é de lei: tem que correr pra frente da TV. Não importa que o time perca, desde que tenha sido com garra. Tem que ter corrido atrás da bola, marcado em cima, tentado gol de tudo quanto é jeito, corrido até o último segundo de jogo.

Mas é claro que ele sempre espera que o time ganhe: grita quando faz um gol, chora e desespera quando leva um. Xinga a mãe do juiz, empurra o jogador com gritos de “Vai vai vai…”, dá um de técnico e grita pro jogador fazer isso, fazer aquilo, chutar ali e acolá. Quando sai a vitória, haja foguete, apito, grito, buzinasso, cerveja e churrasco. E mais cerveja, e mais churrasco…

Torcedor que é torcedor também apela pro Santo. Faz prece, acende vela e até faz promessas para que a seleção ganhe. Acho que é tanta gente pedindo ajuda que os céus também param pra assistir essa tal de copa também. Não tem como fugir, onde é que se olhe só se fala dela!

Outro fato legal dessa copa é o fato de ela ser na África do Sul. Um país pobre como aquele precisa de um evento desses para alavancar sua economia. Os setores de serviços, construção civil, segurança, transporte e hotelaria, por exemplo, vão receber grandes fluxos de capital. No final das contas, todos ganham: quem assiste de casa, quem tem oportunidade de estar lá e, é claro, quem vive lá.

Leandro Textos

Lula, Coréia, Ficha Limpa e Fones de Ouvido

21 de May de 2010

De tanto ver a TV falando e proclamando para os quatro cantos que sedentarismo traz doenças e a tão temida morte, comecei a fazer exercícios. Não que eu tenha abraçado a causa de olhos fechados, já que depois desses casos de jogadores de futebol que caíram duros durante uma partida, eu fiquei matutando se esse papo de fazer exercícios não é só balela. Esses caras ficam a maior parte do tempo correndo pra lá e pra cá e deveriam estar imunes a esse tipo de tragédia – pelo menos na minha concepção.

Mas, de qualquer forma, por precaução, comecei fazendo caminhada, e depois de sofrer alguns dias, resolvi avançar para o próximo passo: comecei a correr. Pra quem ficou com preguiça só de pensar, digo o seguinte: até que não é lá nenhum castigo quando se pega o ritmo e se tem um inseparável aparelho de MP3 como companheiro.

Na verdade, tinha uma única coisa que me incomodava naquele processo todo: o fone de ouvido do tal MP3. Pra se sincero, isso me incomodava muito. Isso porque, quando eles mediram o fio, acho que usaram uma criança de 10 anos como modelo, o que talvez explique por que ele fosse tão curto. Daí, como o fio era pequeno, o MP3 não chegava até o bolso da bermuda, fazendo com que tivesse que encontrar outros lugares pra enfiá-lo – no bom sentido. Aí você corria e tinha que ficar preocupando com MP3 escorregando, MP3 caindo, MP3 pulando, e por aí ia.

Tentando resolver tamanho problema, saí um dia à caça de um fone de ouvido com um fio mais longo. Depois de passar em vários camelôs, por fim, encontrei o tal acessório. Ainda tinha o problema de o plugue ser maior que a entrada do MP3, mas isso foi resolvido comprando um pequeno adaptador, depois de mais algumas voltas por ali.

No dia seguinte, levantei ansioso, como uma criança que ganha um brinquedo novo e quer mostrar pros amiguinhos. Fiquei pensando como é interessante como coisas pequenas – e baratas – podem influencias no humor da gente.

Liguei a TV como de costume, para ouvir o noticiário enquanto vestia a roupa para sair. Falavam do Lula no Irã e do acordo que fizeram para evitar as sanções internacionais. Depois, da possível guerra que poderia se iniciar se a Coréia do Sul continuasse acusando a Coréia do Norte de ter afundado um de seus navios; briga de vizinhos que acabou em morte em São Paulo; a crise na Europa, as bolsas despencando, a iminência de uma nova crise; a aprovação da Ficha Limpa no…

A partir daí não ouvi mais nada. Janis Joplin não deixou – começou a cantar nos meus ouvidos, aumentei o volume, e saí – tranqüilo, sereno, com o MP3 onde sempre deveria ter estado: no bolso da bermuda!

Leandro Textos

Sobre Filmes e Sexo

19 de May de 2010

Tem um barzinho aqui na cidade que já virou caminho da roça pra gente. Eu, Fá, Marcinha e Junão marcamos ponto lá praticamente todo sábado. A mesa da esquina da rua só falta ter nosso nome: faça chuva ou faça sol, ela sempre sobra pra gente.

Um sábado desses, estávamos lá, tititi, tatatá, conversas aleatórias, whatever, como sempre. Então Fá e Marcinha começaram a tirar fotos. Nunca vi bicho que gosta mais de tirar foto que esse tal de bicho-mulher. Ave Maria! Começaram a tirar fotos delas, delas com Junão, aquelas caras de pato, e eu, que não sou muito chegado a sair em fotos, já virei pro lado do palco pra ver o que tava rolando lá, dando um de João-sem-braço.

Avistei algo interessante na mesa perto do palco – se é que vocês me entendem – e comecei a viajar, na mesa e na música do Leoni:

Quando ela cai no sofá
So far away
Vinho à beça na cabeça
Eu que sei..
Quando ela insiste em beijar
Seu travesseiro
Eu me viro do avesso
Eu vou dizer aquelas coisas
Mas na hora esqueço…

Fá, Marcinha e Junão conversando sem parar e flashes piscando pra lá e pra cá, e eu ali viajando e tomando minha vodka com guaraná (rimou!!! Seria eu um poeta enrustido!?).

Comecei a sentir uma pressão no meu braço direito, tipo quando colocam aquele equipamento de medir pressão no braço da gente e começam a apertar aquela bombinha… sabe como é, né? Tava fraco e foi aumentando. Eu ouvindo “Por que não eu? Ah! Ah!” e aquele negócio me incomodando. Até que chegou uma hora que não agüentei e me virei tão rápido pra ver o que era, que meu corpo virou, mas a imagem demorou pra chegar no meu cérebro (resultado da vodka com guaraná, imagino).

Quando a imagem terminou de se formar, lá estava Fá segurando o meu braço. Como sempre sou carinhoso com as mulheres, segurei a ebulição de raiva que surgia de dentro de mim e disse:

- Quié cabeção? Tá doida?

- O que você acha, Léo? – falou, com aquela risadinha insana na cara.

- O que acha de que, pelo amor de Deus? – perguntei, amorosamente como um tanque de guerra.

- Estávamos discutindo aqui… quando um cara chama uma menina pra assistir filme na casa dele, ele realmente quer assistir filme? É estranho ele não tentar nada?

Uma pausa pra explicar uma coisa. Algumas pessoas realmente acham que eu sou um cara a quem elas devem ouvir. Sei que tenho muito mais dúvidas do que certezas, mas existem alguns homo sapiens que me escutam. Não sei explicar por que, mas me escutam. Me perguntam coisas sobre relacionamentos, família, profissão e outras cositas más.

Esses dias, uma tal de Lucimara me enviou um convite pra ser amigo dela no Orkut. Como não reconheci pela foto, entrei no perfil dela. Vi que não morava na minha cidade e tampouco era amiga de algum conhecido meu. Então, mandei um scrap perguntando de onde ela me conhecida. Ela respondeu com outro scrap dizendo “oi lindinho sou a mara vc parece ser super simpatico adoraria ser sua amiga”. Exatamente isso aí foi o que ela escreveu – copiei e colei, não alterei uma vírgula. É claro que recusei o convite dela (calma, ela não era bonita não, nem isso valia a pena). Então, alguns dias depois ela manda outro scrap: “vc sumiu to precisando tanto ouvir umas palavras bonitas”. Dá pra acreditar nisso? Eu nunca vi a menina, nunca conversei com ela, e ela diz que quer ouvir palavras bonitas de mim? Eu tenho cara de Padre Fábio de Melo? Ou de Antônio Roberto? Só pode. Daqui a pouco compro um divã e começo a cobrar.

Voltando ao assunto… Fá ainda segurando meu braço e fazendo aquela pergunta indiscreta. Estranho uma mulher perguntar isso para um homem. Mulheres geralmente discutem suas intimidades entre si, não ficam por aí pedindo opinião de homem.

- Como assim? Por que você tá perguntando? – falei, sem baixar minha guarda. O que eu falasse ali poderia influenciar nas possíveis relações com possíveis amigas da Fá que ela poderia vir a me apresentar futuramente. Claro, tem que se pensar nessas coisas também, né? O mundo dá voltas… nunca se sabe.

- Nada, Léo. É só um assunto que estávamos discutindo aqui. – Ela já tinha tirado o sorriso do rosto e tava parecendo meio aflita. Olhei pra Marcinha e ela tava séria. Vi que não era só um assunto aleatório. Aquilo tinha a ver com algo que tinha acontecido com Fá ou Marcinha e eu, como bom samaritano, resolvi colocar panos quentes no negócio.

- Cada situação é uma situação, Fá. Às vezes o cara quer só sexo mesmo, o filme é apenas um pretexto. Mas, se ele gosta da menina, e espera ter algo sério com ela, talvez ele não tente nada, ou tente e não insista, já que estar com ela ali já basta. Sexo torna-se uma coisa secundária, que vai vir com o tempo.

Nossa, falei bonito demais! Se filmassem minha cara falando isso, eu poderia concorrer ao Oscar. Minha mãe teria tanto orgulho de mim se estivesse ali. Junão ficou olhando pra mim como um pai orgulhoso olha para o filho que acabou de passar no vestibular.

Depois que falei isso, o rosto de Fá mudou. Precisavam ver o alegrião da menina. Faltou subir na mesa e dançar o rebolation.

Foi o que a Marcinha disse naquele momento que fechou minha noite com chave de ouro:

- Tá vendo, Fá? Eu te disse. Pode sair com o cara de novo, ele não é gay!

Tempos modernos…

Leandro Textos

A quase morte de Lessi

17 de May de 2010

Esses dias, fui visitar minha mãe num sábado, como faço normalmente. Chegando lá, conversa vai, conversa vem, aí vem a notícia: “Olha, Lessi tá doente… acho que vamos ter que mandar sacrificá-la”.

Lessi era a cadelinha da família há mais de 9 anos. Tava velhinha, coitada, mas nada que a fizesse cair dura de uma hora pra outra. Então – a meu ver -, pra mandar sacrificar, tinha que ter um motivo forte.

Minha mãe continuou: “Ela tá deitada desde ontem, não tá comendo direito, e tá com uma ferida feia na orelha. Sua irmã olhou, e tá tudo oco lá dentro. Um buraco mesmo. E tá fedendo muito. Não precisa chegar nem perto dela pra sentir”.

Isso foi no sábado. No domingo, fui lá novamente, e a danada da cadela tava do mesmo jeito. Até eu senti o cheiro nesse dia. Parecia que tinha morrido e esquecido de cair. Orelha sangrando e tudo mais. Só que eu, com dó dela, falei que devíamos levar ela no veterinário na segunda de manhã, que isso era só uma ferida, que iam colocar um curativo e passar um remédio e ela estaria pronta pra outra. Minha mãe e irmã retrucaram, querendo mandar passar a faca na cadela de uma vez. Pá de lá, pá de cá, ficou decidido que eu passaria lá segunda-feira e a levaríamos no veterinário.

Segunda-feira liguei pra um pet shop por volta de 8 horas, e só ia ter veterinário a tarde. Liguei pra outro, era uma veterinária na verdade, e consegui marcar pra 10:30 da manhã. Eu não sabia que veterinário tinha que marcar. Pra mim era só levar e atendiam na hora… pra mim, veterinário mal trabalhava… fica só dando banho e tosando cachorro o dia todo. Engano meu… a tal veterinária pensava que era médica, e tinha até que marcar consulta pra falar com ela.

Beleza… marquei a tal consulta, perdi minha manhã de trabalho, e fui buscar a Lessi. Usei uma luva de procedimentos (de hospital) pra pegar ela e colocar dentro de uma caixa de papelão. Tava toda ensangüentada e fedendo. Colocamos no carro e fomos pro tal pet shop. Chegando lá, levaram ela lá pra dentro pra pesar, e ficamos mais de meia hora lá fora esperando notícias.

Aí, a veterinária nos chamou. Trouxe a Lessi, colocou numa mesa de metal e começou a examinar. “A orelha dela tá com bicheira”, ela disse. Aí vai precisar disso, precisar daquilo e coisa e tal. Depois apalpou os mamilos dela e achou dois tumores. Porra! Eu nem sabia que cachorro tinha disso – câncer de mama! Beleza… ela mediu a temperatura da Lessi colocando o termômetro “naquele” buraquinho que deveria ser só output, nunca input… e viu que ela tava com febre.

Então, a veterinária sentou na sua cadeira, na frente do computador, e começou a escrever números… muitos números. Aí virou pra mim: “Olha, pra tratar da orelha da Lessi, ela vai precisar ficar internada aqui 5 dias. Se a pele não colar direito, não cicatrizar, vamos ter que amputar a orelha ou fazer uma plástica. Quanto aos dois tumores no mamilo, vamos deixar pra mexer daqui dois meses, pra terminar o tratamento da orelha.” Aí ela me entregou o orçamento. Quase tive um treco. Cacete! Nunca na minha vida gastei um valor daqueles nem comigo, e agora ia ter que gastar com um cachorro. Eu só pensava: “Vamos sacrificar, vamos sacrificar! Faca nela! Morte à Lessi!”. Mas agora já era tarde. Deixamos a danada da Lessi lá internada, no bem bom.

Depois de dias, minha mãe e irmã queriam saber se eu não ia lá visitar a Lessi (tinha até horário de visita lá). Disseram que ela sentia minha falta. Quando falaram isso, não sabia se ria, se chorava, se xingava. Mas me controlei, e disse apenas, com aquele jeito de monge: “Digam a ela que estou viajando e, infelizmente, não poderei ir”. Às vezes o sarcasmo é a melhor saída. Só me faltava essa: além de gastar uma fortuna com a cadela, ainda ter que fazer visitinha.

Resumo da estória: Se alguém quiser matar um animal, qualquer um que seja, nunca, jamais, dêem um de bom samaritano e tentem defendê-lo. Deixem meter a faca! Ou quem levará a facada será você.

Leandro Textos

O suporte técnico mais safado do mundo

2 de June de 2009

Certa vez um amigo me disse que um técnico da Microsoft havia relatado que o um erro na inicialização do seu computador ocorria pelo fato dele mover o mouse durante o boot. Eu duvidei ferrenhamente. Hoje eu descobri que essa é uma prática comum da empresa de Bill Gates.

Vejam só a solução apresentada pelo suporte da Microsoft para um problema em uma Query no XL97.

method2

Method 2: Move Your Mouse Pointer
If you move your mouse pointer continuously while the data is being returned to Microsoft Excel, the query may not fail. Do not stop moving the mouse until all the data has been returned to Microsoft Excel.

NOTE: Depending on your query, it may take several minutes to return the results of your query to the worksheet.

Isso mesmo que você leu. Para a consulta funcionar você tem que ficar movendo o mouse. Duvida? Então clique aqui e veja com seus próprios olhos o Method 2.

Alessandro Textos