Lula, Coréia, Ficha Limpa e Fones de Ouvido
De tanto ver a TV falando e proclamando para os quatro cantos que sedentarismo traz doenças e a tão temida morte, comecei a fazer exercÃcios. Não que eu tenha abraçado a causa de olhos fechados, já que depois desses casos de jogadores de futebol que caÃram duros durante uma partida, eu fiquei matutando se esse papo de fazer exercÃcios não é só balela. Esses caras ficam a maior parte do tempo correndo pra lá e pra cá e deveriam estar imunes a esse tipo de tragédia – pelo menos na minha concepção.
Mas, de qualquer forma, por precaução, comecei fazendo caminhada, e depois de sofrer alguns dias, resolvi avançar para o próximo passo: comecei a correr. Pra quem ficou com preguiça só de pensar, digo o seguinte: até que não é lá nenhum castigo quando se pega o ritmo e se tem um inseparável aparelho de MP3 como companheiro.
Na verdade, tinha uma única coisa que me incomodava naquele processo todo: o fone de ouvido do tal MP3. Pra se sincero, isso me incomodava muito. Isso porque, quando eles mediram o fio, acho que usaram uma criança de 10 anos como modelo, o que talvez explique por que ele fosse tão curto. DaÃ, como o fio era pequeno, o MP3 não chegava até o bolso da bermuda, fazendo com que tivesse que encontrar outros lugares pra enfiá-lo – no bom sentido. Aà você corria e tinha que ficar preocupando com MP3 escorregando, MP3 caindo, MP3 pulando, e por aà ia.
Tentando resolver tamanho problema, saà um dia à caça de um fone de ouvido com um fio mais longo. Depois de passar em vários camelôs, por fim, encontrei o tal acessório. Ainda tinha o problema de o plugue ser maior que a entrada do MP3, mas isso foi resolvido comprando um pequeno adaptador, depois de mais algumas voltas por ali.
No dia seguinte, levantei ansioso, como uma criança que ganha um brinquedo novo e quer mostrar pros amiguinhos. Fiquei pensando como é interessante como coisas pequenas – e baratas – podem influencias no humor da gente.
Liguei a TV como de costume, para ouvir o noticiário enquanto vestia a roupa para sair. Falavam do Lula no Irã e do acordo que fizeram para evitar as sanções internacionais. Depois, da possÃvel guerra que poderia se iniciar se a Coréia do Sul continuasse acusando a Coréia do Norte de ter afundado um de seus navios; briga de vizinhos que acabou em morte em São Paulo; a crise na Europa, as bolsas despencando, a iminência de uma nova crise; a aprovação da Ficha Limpa no…
A partir daà não ouvi mais nada. Janis Joplin não deixou – começou a cantar nos meus ouvidos, aumentei o volume, e saà – tranqüilo, sereno, com o MP3 onde sempre deveria ter estado: no bolso da bermuda!

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