Na verdade… #3
Se você tem imagens, vídeos ou textos legais e gostaria que fossem publicados aqui no Urra, pode nos enviar no e-mail blogurra@gmail.com.
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Esses dias, fui visitar minha mãe num sábado, como faço normalmente. Chegando lá, conversa vai, conversa vem, aí vem a notícia: “Olha, Lessi tá doente… acho que vamos ter que mandar sacrificá-la”.
Lessi era a cadelinha da família há mais de 9 anos. Tava velhinha, coitada, mas nada que a fizesse cair dura de uma hora pra outra. Então – a meu ver -, pra mandar sacrificar, tinha que ter um motivo forte.
Minha mãe continuou: “Ela tá deitada desde ontem, não tá comendo direito, e tá com uma ferida feia na orelha. Sua irmã olhou, e tá tudo oco lá dentro. Um buraco mesmo. E tá fedendo muito. Não precisa chegar nem perto dela pra sentir”.
Isso foi no sábado. No domingo, fui lá novamente, e a danada da cadela tava do mesmo jeito. Até eu senti o cheiro nesse dia. Parecia que tinha morrido e esquecido de cair. Orelha sangrando e tudo mais. Só que eu, com dó dela, falei que devíamos levar ela no veterinário na segunda de manhã, que isso era só uma ferida, que iam colocar um curativo e passar um remédio e ela estaria pronta pra outra. Minha mãe e irmã retrucaram, querendo mandar passar a faca na cadela de uma vez. Pá de lá, pá de cá, ficou decidido que eu passaria lá segunda-feira e a levaríamos no veterinário.
Segunda-feira liguei pra um pet shop por volta de 8 horas, e só ia ter veterinário a tarde. Liguei pra outro, era uma veterinária na verdade, e consegui marcar pra 10:30 da manhã. Eu não sabia que veterinário tinha que marcar. Pra mim era só levar e atendiam na hora… pra mim, veterinário mal trabalhava… fica só dando banho e tosando cachorro o dia todo. Engano meu… a tal veterinária pensava que era médica, e tinha até que marcar consulta pra falar com ela.
Beleza… marquei a tal consulta, perdi minha manhã de trabalho, e fui buscar a Lessi. Usei uma luva de procedimentos (de hospital) pra pegar ela e colocar dentro de uma caixa de papelão. Tava toda ensangüentada e fedendo. Colocamos no carro e fomos pro tal pet shop. Chegando lá, levaram ela lá pra dentro pra pesar, e ficamos mais de meia hora lá fora esperando notícias.
Aí, a veterinária nos chamou. Trouxe a Lessi, colocou numa mesa de metal e começou a examinar. “A orelha dela tá com bicheira”, ela disse. Aí vai precisar disso, precisar daquilo e coisa e tal. Depois apalpou os mamilos dela e achou dois tumores. Porra! Eu nem sabia que cachorro tinha disso – câncer de mama! Beleza… ela mediu a temperatura da Lessi colocando o termômetro “naquele” buraquinho que deveria ser só output, nunca input… e viu que ela tava com febre.
Então, a veterinária sentou na sua cadeira, na frente do computador, e começou a escrever números… muitos números. Aí virou pra mim: “Olha, pra tratar da orelha da Lessi, ela vai precisar ficar internada aqui 5 dias. Se a pele não colar direito, não cicatrizar, vamos ter que amputar a orelha ou fazer uma plástica. Quanto aos dois tumores no mamilo, vamos deixar pra mexer daqui dois meses, pra terminar o tratamento da orelha.” Aí ela me entregou o orçamento. Quase tive um treco. Cacete! Nunca na minha vida gastei um valor daqueles nem comigo, e agora ia ter que gastar com um cachorro. Eu só pensava: “Vamos sacrificar, vamos sacrificar! Faca nela! Morte à Lessi!”. Mas agora já era tarde. Deixamos a danada da Lessi lá internada, no bem bom.
Depois de dias, minha mãe e irmã queriam saber se eu não ia lá visitar a Lessi (tinha até horário de visita lá). Disseram que ela sentia minha falta. Quando falaram isso, não sabia se ria, se chorava, se xingava. Mas me controlei, e disse apenas, com aquele jeito de monge: “Digam a ela que estou viajando e, infelizmente, não poderei ir”. Às vezes o sarcasmo é a melhor saída. Só me faltava essa: além de gastar uma fortuna com a cadela, ainda ter que fazer visitinha.
Resumo da estória: Se alguém quiser matar um animal, qualquer um que seja, nunca, jamais, dêem um de bom samaritano e tentem defendê-lo. Deixem meter a faca! Ou quem levará a facada será você.
Desabafaram aqui